Análise
A geração Z quer comprar mais que todo mundo, e trava no mesmo lugar
Existe um mito de que os jovens desistiram da casa própria e só querem alugar pra sempre. As pesquisas do setor em 2026 dizem o contrário, e o que elas revelam sobre o que essa geração procura vale pra qualquer pessoa que compra pra morar ou pra revender.
Quem mais quer comprar hoje é o mais novo
Segundo a pesquisa trimestral da Brain Inteligência Estratégica (ligada à ABRAINC e ao Secovi), a geração Z era a que mais pretendia comprar um imóvel em junho de 2026: 61% dela planejava a compra, contra 51% dos millennials, 41% da geração X e 25% dos mais velhos. Um levantamento independente do QuintoAndar com o instituto Ipsos, de dezembro de 2025, chega na mesma direção: metade da geração Z pretende comprar, mais do que a média nacional.
Ou seja, a vontade existe, e é alta. O problema está na outra ponta.
O trava não é desejo, é entrada
Apesar da intenção recorde, só 9% das famílias brasileiras de fato fecharam uma compra nos últimos 12 meses (Brain, via Valor, maio de 2026). O motivo que mais aparece não é falta de vontade, é falta de entrada: 47% da geração Z diz não ter dinheiro para a entrada ou para o financiamento (QuintoAndar/Ipsos, dezembro de 2025). Preço alto e juros vêm logo atrás.
Esse detalhe muda como você planeja a compra. Se a barreira real é a entrada, o jogo se ganha antes, na poupança da entrada e no uso do FGTS e de programas de subsídio, e não só na escolha do imóvel. Quem entende isso cedo chega na hora da compra com a parte mais difícil resolvida.
O que essa geração procura (e o que muda pra você)
Aqui está o mais útil, inclusive pra quem compra pra investir. Três institutos apontam o mesmo padrão:
Localização ganha da metragem. Entre os jovens de 25 a 34 anos, os atributos mais valorizados na hora de escolher o bairro são segurança, comércio por perto e tranquilidade, acima do tamanho do imóvel (Loft, em parceria com a Offerwise, fevereiro de 2025). Um imóvel menor, bem localizado e seguro tende a ter mais saída do que um grande e distante.
Compacto virou padrão, não exceção. Cerca de 80% dos lançamentos no país em 2024 já eram de imóveis compactos (dados do setor, CBIC e Secovi-SP). A geração Z aceita bem morar em menos espaço: apenas 14% dela rejeita a ideia de um microapartamento, contra mais de um quarto dos mais velhos (QuintoAndar/Ipsos, dezembro de 2025).
Moradia antes de investimento. A geração Z é a que menos compra pensando em investimento: só 14% dela cita esse motivo (QuintoAndar/Ipsos). Pra maioria, o imóvel é pra morar, o que reforça o peso da localização e do dia a dia sobre a especulação.
Vale um alerta de honestidade: alguns atributos que viraram moda no discurso de mercado, como área pet e coworking no prédio, aparecem mais em fala de incorporadora do que em pesquisa com morador. Um estudo do NRE-Poli da USP com moradores de studios em São Paulo mostrou que pet place e coworking foram pouco relevantes pra quem de fato mora nesses imóveis. Já sustentabilidade tem apelo real, mas ainda de nicho: cerca de 29% dos compradores nas capitais do Sul e Sudeste pagariam mais por um imóvel com certificação ambiental (Loft/Offerwise, agosto de 2025, população geral, não só jovens).
O resumo pra sua decisão
Se você compra pra morar, a leitura da geração mais nova confirma o básico que funciona: priorize localização e segurança, aceite metragem enxuta se ela vier bem posicionada. Se você compra pra revender ou alugar, um compacto bem localizado é o que essa geração vai querer daqui pra frente, e ela é o maior grupo de compradores em formação.
E se a barreira é a entrada, é nela que o seu plano começa, não na escolha do imóvel. O nosso guia do primeiro imóvel traz quanto juntar, como usar o FGTS e quais programas você pode acessar. Monte esse plano antes de começar a visitar imóveis, por um motivo bem prático: quem chega na hora da compra com a entrada resolvida escolhe o que quer. Quem chega sem ela escolhe o que sobrou.
Fontes