Nota

R$ 40 bilhões para reformar a casa, e 93% continuam parados

O governo previu R$ 40 bilhões para emprestar a quem quer reformar a casa e, até 16 de julho, tinha contratado R$ 2,7 bilhões. É 6,7% do total, segundo dados do Ministério das Cidades divulgados ontem pelo Estadão. O empréstimo se chama Reforma Casa Brasil e existe desde outubro de 2025.

O que é o Reforma Casa Brasil?

O Reforma Casa Brasil é uma linha de crédito da Caixa para pagar obras de melhoria na moradia. Integra o Minha Casa, Minha Vida. A lista inclui elétrica, hidráulica, telhado, infiltração, piso, banheiro, acessibilidade e até um cômodo novo, com material e mão de obra, segundo o Estadão.

Quem pode contratar, e qual é o valor?

A contratação exige área urbana, renda bruta familiar de até R$ 13 mil por mês, somando o que todos na casa ganham antes dos descontos, avaliação de crédito aprovada na Caixa e um imóvel dentro das regras do programa; o empréstimo vai de R$ 10 mil a R$ 50 mil, em 36 a 72 parcelas.

Pela regra da Caixa, a casa participa mesmo sem escritura, e vale para quem aluga ou mora de favor. O banco exclui imóveis em área de risco ou de proteção ambiental, e perto de estruturas como rodovia e linha de transmissão; a lista completa é conferida na análise do imóvel.

Quanto custa, e como o dinheiro chega?

A taxa anunciada pelo governo é de 0,99% ao mês, já com os encargos, e o dinheiro chega em duas partes: 90% depois de contratar, escolher os serviços e enviar as fotos de antes da obra, e os 10% restantes depois que a reforma é comprovada com novas fotos. Aí a Caixa recalcula as parcelas. A primeira vence 30 dias depois, e a obra tem prazo de 55 dias.

É empréstimo, não doação. Se a reforma não for comprovada, a Caixa não deposita o restante, e podem ser aplicadas multa e inclusão em cadastro restritivo. As condições valem desde maio, segundo o governo: o Conselho Monetário Nacional, que define as regras do crédito no país, subiu o limite de renda de R$ 9,6 mil para R$ 13 mil, baixou a taxa e esticou o prazo para 72 meses.

Por que só 6,7% do orçamento foi contratado?

Ana Maria Castelo, da Fundação Getulio Vargas, disse ao Estadão que o programa “não deslanchou como esperado”, e apontou os juros altos do começo e o tempo de ajuste depois da implantação. A Abramat, da indústria de materiais, cita ainda o endividamento das famílias. Nenhuma leitura é conclusiva, mas há reação: o acumulado passou de R$ 1,3 bilhão em maio para R$ 2,7 bilhões em 16 de julho, depois das mudanças.

O setor de materiais lê esse número como fracasso, e tem por quê: esperava vender mais. Mas fracasso de quem vende não é fracasso de quem mora. Do lado de cá, o mesmo número diz o contrário: a linha ficou mais barata e mais longa em maio, e o dinheiro continua lá para quem passar nas regras. É a rara notícia em que o programa não ter engrenado joga a favor de quem chega agora. Reforma adiada não some, volta como emergência. E emergência não escolhe crédito, aceita o que estiver na mão.

Some o que a obra vai custar e rode no simulador do programa, no site da Caixa: ele mostra parcela, juros e valor final, para você comparar com as outras contas da casa até o fim do contrato. Simulação não é aprovação: a análise vem depois. O guia das faixas do Minha Casa, Minha Vida mostra as faixas de renda. E se a casa é alugada, vale rever a conta de alugar ou comprar antes de investir no imóvel alheio.

Isto é leitura de mercado pra sua decisão, não recomendação de investimento.

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