Nota

Somar a renda de alguém não é emprestar um nome. É dividir a dívida

A renda não fechou por pouco. Aí alguém na mesa fala: põe meu nome junto, depois a gente tira. Ninguém está mentindo nessa frase. O banco é que não tem esse botão.

Dá para somar. Na Caixa, o comprador pode financiar sozinho ou compor renda com outra pessoa, sem limite de quantas pessoas entram e sem exigir grau de parentesco. Nas operações com FGTS a renda tem que ser familiar. A própria página de perguntas frequentes manda cadastrar como comprador “quem mais vai participar da composição de renda”. Comprador, não avalista. Essa figura a Caixa nem pede no crédito da casa própria, porque a garantia é o imóvel.

E o que isso cobra de quem entrou?

Quem compõe renda assina como comprador e passa a ter um financiamento habitacional em nome dele. É esse registro que fecha uma porta, e não é a porta óbvia. Usar o FGTS para comprar moradia própria só é permitido a quem não seja “detentor de financiamento no âmbito do SFH em qualquer parte do território nacional”, diz o artigo 7º da Resolução 994 do Conselho Curador do FGTS, que é quem escreve as regras do fundo. E a Caixa põe a régua em português de balcão: no caso de uso do FGTS não é possível ter mais de um financiamento ativo, independente da localização do imóvel. Financiamento de imóvel avaliado abaixo de R$ 2,25 milhões é SFH, pelo critério da própria Caixa. Repare no que segue liberado: cabendo nas regras do fundo, o FGTS de quem entrou pode ir naquela compra, a de vocês. O que trava é a outra, a casa que ele compraria sozinho depois.

Na mesa da família isso circula como empurrãozinho: o nome entra, a aprovação sai e depois some do papel. O sumiço é que não está escrito em lugar nenhum. Enquanto esse nome estiver no contrato, quem entrou só para ajudar é comprador de uma casa onde não mora e está no financiamento de uma parcela que não paga. Não chamo isso de favor. Favor tem prazo combinado, e esse aqui ninguém combina: quem decide a hora de sair é o contrato, não a mesa.

Antes de pedir ou de aceitar, eu faria uma pergunta só a quem vai entrar: você pretende comprar a sua casa nos próximos anos? Se a resposta for sim, o preço do favor tem nome: enquanto ele estiver naquele financiamento, o FGTS dele não compra outra casa. Essa conversa sai barata antes da assinatura e cara depois. Quem conta com o FGTS na entrada acha as regras no guia do FGTS na compra.

Nome emprestado volta. Dívida dividida fica.

É isso. Com o pé no chão.

Isto é leitura de mercado pra sua decisão, não recomendação de investimento.

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