Comprar o 1º imóvel

Documentação pra comprar imóvel: o checklist que evita dor de cabeça

Resposta rápida

A segurança da compra de um imóvel mora em quatro camadas de papel: a matrícula atualizada, que conta a história e revela ônus; as certidões do vendedor, que mostram dívidas e processos capazes de anular o negócio; o ITBI e a escritura, que formalizam a transação; e o registro no cartório de imóveis, que é o ato que de fato transfere a propriedade. Este checklist mostra o que pedir, onde emitir e quando chamar um especialista.

Você faria a maior compra da sua vida sem ler o que está assinando? Ninguém faria de propósito. Mas é exatamente o que acontece quando o comprador se encanta com o imóvel e trata a papelada como formalidade chata do fim. Documentação não é burocracia: é o raio-x que revela dívida escondida, penhora e dono que não é dono antes que o seu dinheiro troque de mãos. Este checklist mostra, sem juridiquês, o que pedir, onde emitir e a hora exata de chamar um especialista, pra você não herdar o problema de estranhos junto com as chaves.

O que é a matrícula do imóvel e por que ela vem primeiro?

A matrícula é a certidão de identidade do imóvel: um documento único, emitido pelo cartório de registro de imóveis, que conta toda a história do bem, de quem foi dono a quais dívidas e restrições pesam sobre ele. Peça a matrícula atualizada, também chamada de certidão de inteiro teor com ônus e ações, antes de qualquer proposta séria. Nela aparecem hipoteca, penhora, usufruto, alienação fiduciária e bloqueios judiciais.

A emissão é simples: no balcão do cartório da circunscrição do imóvel ou online, pelas centrais de registradores. Bancos e cartórios costumam trabalhar com certidões emitidas há no máximo 30 dias (validar na redação final), então não adianta guardar uma antiga na gaveta. Preste atenção em dois sinais de alerta imediatos: vendedor que enrola pra entregar a matrícula e vendedor cujo nome não é o que consta como proprietário atual. Aquele desconforto de quando o outro lado foge de uma pergunta simples costuma ser informação, não paranoia. Nesse segundo caso, a compra depende de regularização antes de qualquer pagamento. A pressa é inimiga aqui: pular essa checagem é o mais grave dos 7 erros de quem compra o primeiro imóvel com pressa.

Quais certidões pedir do vendedor?

Peça certidões em dois blocos: as do imóvel, que mostram dívidas do bem, e as da pessoa do vendedor, que mostram processos e dívidas capazes de derrubar a venda depois. Se o vendedor for casado, as certidões valem pro casal; se for empresa, entram CNPJ, contrato social e certidões da pessoa jurídica. Parece muita coisa, e é normal bater aquele desânimo de burocracia diante da lista. Mas a lógica é uma só: cada papel fecha uma porta por onde o negócio poderia ser anulado depois. Vendedor que já apresenta o pacote completo de saída é sinal de negócio saudável, e costuma ser o mais tranquilo de fechar.

Documento O que revela Onde emitir
Matrícula atualizada (inteiro teor, ônus e ações) histórico, dono atual, hipoteca, penhora cartório de registro de imóveis
Certidão negativa de IPTU dívida de imposto municipal prefeitura
Declaração de quitação condominial dívida de condomínio, que acompanha o imóvel síndico ou administradora
Certidões cíveis e de execução (estadual e federal) processos que podem levar o imóvel à penhora tribunais (TJ e Justiça Federal)
Certidão negativa de débitos trabalhistas (CNDT) dívidas trabalhistas do vendedor TST, gratuita e online
Certidão de protestos dívidas protestadas em cartório cartórios de protesto
Certidão de casamento atualizada regime de bens e necessidade de anuência do cônjuge cartório de registro civil

Fonte: praxe de mercado consolidada a partir da Lei de Registros Públicos (Lei 6.015/1973) e do Código Civil; a lista exata varia conforme o caso, consulte um especialista.

Por que dívida de condomínio e IPTU são armadilhas clássicas?

Porque essas dívidas acompanham o imóvel, não o dono: se você compra com débito de condomínio ou IPTU em aberto, a cobrança vem pra você, mesmo sendo dívida de antes da compra. A lei trata essas cobranças como dívidas do próprio bem, não da pessoa. Por isso a declaração de quitação assinada pelo síndico e a certidão negativa da prefeitura precisam sair antes da assinatura, não depois.

O detalhe que pega muita gente: a certidão negativa de IPTU se pede na prefeitura com o número de inscrição do imóvel, e a quitação condominial precisa ser específica da unidade, com assinatura de quem responde pelo condomínio. Boleto pago do último mês não prova nada sobre os anteriores. Se existir dívida, ela não mata o negócio: vira item de negociação, com o valor abatido do preço e a quitação feita antes ou no ato da assinatura, tudo por escrito.

O que são ITBI, escritura e registro na prática?

São os três atos que transformam o combinado em propriedade: o ITBI é o imposto municipal da transferência, a escritura é o documento público do negócio e o registro na matrícula é o que faz você virar dono de verdade. O ITBI costuma ficar entre 2% e 3% do valor na maioria das cidades (validar na redação final), e escritura mais registro somam em torno de 1% a 1,5%, pela tabela de cada estado (validar na redação final).

A ordem importa: primeiro o ITBI, porque cartório nenhum registra sem o comprovante; depois a escritura no tabelionato de notas, dispensada quando há financiamento, já que o contrato do banco vale como escritura; e por fim o registro no cartório de registro de imóveis. Enquanto o registro não acontece, quem vendeu ainda é o dono no papel, e é por isso que o ditado do mercado existe: quem não registra não é dono. Essa é a etapa final da jornada que organizamos no passo a passo completo do primeiro imóvel.

Quando chamar um especialista em vez de seguir sozinho?

Chame um profissional de confiança sempre que a matrícula mostrar qualquer complicação: inventário aberto, imóvel em nome de falecido, penhora, usufruto, contrato de gaveta ou vendedor com processos relevantes. O custo de uma assessoria especializada é pequeno perto do prejuízo de um negócio anulado. Pra compra simples, com matrícula limpa e certidões negativas, o checklist deste guia cobre o essencial, mas a revisão final do contrato por um especialista segue sendo dinheiro bem gasto.

Este guia é educacional e mostra o mapa do terreno; ele não substitui a análise do seu caso concreto. Documentação é a área da compra em que o barato sai caro com mais frequência, e quem já viu de perto um negócio ser anulado por causa de uma linha ignorada na matrícula não repete o erro. A decisão inteligente é simples: siga o checklist, e ao primeiro sinal de exceção, pare e consulte um especialista antes de assinar ou pagar qualquer valor. Prudência aqui não é medo, é economia.

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Perguntas frequentes

O que é certidão de ônus reais?

É a parte da matrícula que lista tudo o que pesa sobre o imóvel: hipoteca, alienação fiduciária, penhora, usufruto, servidão e indisponibilidades. Na prática, os cartórios emitem a certidão da matrícula com ônus e ações, que junta a história do imóvel com esses registros. É o documento mais importante da compra: se houver alienação fiduciária, por exemplo, o imóvel ainda pertence a um banco até a quitação; se houver penhora, ele pode ir a leilão mesmo depois da sua compra. A leitura é simples: os ônus aparecem como averbações e registros numerados, e os mais recentes valem mais. Qualquer linha que você não entenda é motivo pra pedir ajuda especializada antes de avançar.

Comprar imóvel ainda em nome de pessoa falecida é possível?

É possível, mas nunca do jeito rápido que o vendedor apressado sugere. Imóvel de herança só pode ser vendido depois do inventário, que define quem são os herdeiros e formaliza a partilha, ou dentro do próprio inventário com autorização judicial e concordância de todos. Comprar por contrato de gaveta de um herdeiro, sem inventário concluído, é assumir o risco de outro herdeiro aparecer e anular o negócio. Se o imóvel dos seus sonhos está nessa situação, a resposta não é desistir: é exigir que a regularização aconteça antes da compra e envolver um especialista pra desenhar o caminho seguro. O desconto do imóvel complicado só compensa quando o custo da regularização cabe na conta.

Quanto custam as certidões e quem paga o quê?

As certidões são baratas perto do tamanho do negócio: boa parte sai gratuita pela internet, como a certidão trabalhista e as da Justiça Federal, e as pagas, como matrícula atualizada e protestos, custam em geral de R$ 30 a R$ 150 cada (validar na redação final). Pela praxe do mercado, o vendedor entrega as próprias certidões e o comprador paga as despesas da transferência: ITBI, escritura e registro. Nada impede negociar diferente, desde que fique escrito na proposta. A regra de bolso: reserve de 4% a 5% do valor do imóvel pros custos totais de transferência (validar na redação final) e trate o gasto com certidões como o seguro mais barato da sua vida.

O contrato de financiamento dispensa a escritura pública?

Dispensa, e essa é uma economia que muita gente não conhece. Quando a compra é financiada, o próprio contrato emitido pelo banco tem força de escritura pública e vai direto pro registro no cartório de imóveis. Você paga o ITBI e o registro, mas não paga a lavratura da escritura no tabelionato. Na compra à vista, a escritura pública é obrigatória pra imóveis acima de 30 salários mínimos, e é feita num tabelionato de notas antes do registro. Nos dois caminhos o destino é o mesmo: só depois de registrado na matrícula o imóvel passa a ser legalmente seu. Guarde a via registrada com o mesmo cuidado que guarda as chaves.

Posso fazer tudo isso sozinho ou preciso de despachante?

Dá pra fazer sozinho na maioria das compras simples, e cada vez mais online. Matrícula e certidões saem pelos sites dos cartórios e tribunais; o ITBI é emitido no site da prefeitura; e o registro pode ser protocolado eletronicamente em boa parte dos estados. O despachante ou a assessoria de documentação entra como conveniência, não como obrigação: cobra pra correr atrás dos papéis e acompanhar prazos. O que não vale a pena economizar é a análise: juntar documento é tarefa braçal, interpretar matrícula com ônus, processo em nome do vendedor ou inventário aberto é trabalho de especialista. Se apareceu complicação, o barato de fazer sozinho pode sair muito caro.

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